O vídeo retrata uma mulher sem pelos num bomx de um banheiro com ladrilhos brancos, um pouco amarelados pelo tempo e uso. Ela toma um banho de leite. A figura parece mais interessada em lavar ao fígado que a si própria, segura junto a seu corpo e lava-o, apesar de não apresentar sujeira aparente. Este é um órgão vital ao corpo humano.
Em um dos mitos gregos Ptometeu é castigado por Zeus, acomentado a um rochedo e tem seu figado bicado por uma água diariamente, seu órgão se regenera durante as noites. Esse fluido do corpo é branco, como o esperma, um dos responsáveis por gerar a vida, o branco é o resultado da união de todas as cores e contrasta com o tom amarronzado da pele, órgãos, ladrinhos.
A câmera é estática, assemelhando-se a uma fotografia, os movimentos acontecem através do líquido e da personagem: projetados na parede em tamanho próximo ao natural. O tempo expresso no limite físico da duração do vídeo( 3 min), e sua continuação repetição, os segundos que leva o líquido mais denseo que a água a percorrer do momento em que ele alcança a cabeça da pessoa até o seu último momento visível para nos espectadores: o raio, este serve como passagem, porta do leite, agora com outros residos, a outro lugar e condição.
O trabalho propõe uma mulher neutra, isenta de referências, profissão ou gostos pessoais, não há como saber ao certo sua idade, é uma figura em seu estado primário, básico como um recém nascido, porém adulto, num ato contínuo sem começo ou fim.
O não ter pelos gera uma dupla associação, há um aspecto negativo, frágil como sansão ou a um ser humano exposto a um choque químico e um aspecto positivo, tecnológico como a imagem que criamos para representar uma raça evoluída, como os ETs.

